sábado, 12 de março de 2011

Banana assada David


A grande dificuldade desta "receita" é o tempo. Ela começa quando você ganha uma muda de banana caturra. Alguns anos depois, quando aquela mudinha se transformou em uma touceira descontrolada no fundo do quintal, a produção começa. Você colhe e distribui as frutas pela vizinhança, entre os amigos, colegas, parentes, operários e vigias das obras da redondeza, faz várias preparações, mas elas ainda resistem em grande quantidade. E exercem sua principal característica: a de amadurecer todas ao mesmo tempo.

Aí você se lembra do que sua irmã fazia quando você era criança e resolve experimentar. Vamos lá!

INGREDIENTES
  • Bananas (obviamente)
  • Chocolate ralado
  • Açúcar cristal
  • Queijo ralado
  • Canela em pó

MODO DE PREPARAR

Descasque as bananas e corte-as em fatias. Disponha no fundo de um refratário de bom tamanho.

Misture os demais ingredientes usando a proporção que lhe agradar, fazendo uma espécie de "farofa". Polvilhe as bananas com esta mistura e coloque outra camada de bananas fatiadas. Repita a operação até se esgotarem os ingredientes.

Leve ao forno quente pelo tempo que levarem as bananas para assar e a "farofa" para derreter. Coloque um pouco de manteiga por cima e sirva quente. Uma bola de sorvete de creme é opcional! Duvido que alguém não coma até ficar com a consciência pesada...

domingo, 30 de janeiro de 2011

Truta grelhada David

O que há para ensinar a alguém em uma truta grelhada na churrasqueira? Nada, não é mesmo? É o básico do básico do básico. É só pescar, temperar como lhe aprouver, e colocar sobre as brasas. E foi isso o que foi feito hoje por nosso pequeno grupo de admiradores de vinhos e comidas simples.



O primeiro passo é ir a Rancho Queimado, na serra catarinense, e pescar algumas trutas fresquinhas no pesque-pague local.

A Clara é nossa "pescadora oficial". Na foto acima ela está "trapaceando", pois largou a bolsa. Normalmente, ela pesca é com um pedaço de bambu e a bolsa no ombro mesmo. E "dá um banho" em todos os marmanjos. Mesmo nos estranhos que por lá aportam exibindo seus caríssimos molinetes comprados no Paraguai.

A sequência natural das ações é a seguinte: Clara pesca, Pascoal assa, eu e Finotti damos o maior apoio e, alegremente, comemos tudo!



As trutas da foto acima pesam entre 300 e 500 gramas cada uma, antes de limpar. Uma delas é mais que suficiente para uma pessoa normal se alimentar bem. O copo "lagoinha" ao lado delas é para dar uma referência de seu tamanho.



O segundo passo é, depois de limpá-las bem, o que é feito para nós pelo próprio dono do "estabelecimento", temperar e colocar na grelha. Limão, sal e um pouquinho de pimenta é o suficiente. Não se deve "abafar" o sabor do peixe, que é muito bom e delicado



O terceiro e último passo, também o mais saboroso, é comer tudo assim que sai da brasa, acompanhado de um bom Sauvignon Blanc chileno. O resto é lenda, como pode ser visto na triste foto abaixo...


domingo, 12 de dezembro de 2010

Mariscos David ao mel e mostarda Dijon


Este marisco foi o subproduto de um almoço que não foi bem planejado. O encontro desta semana seria na minha casa, no domingo, uma vez que eu tinha um compromisso para o sábado à noite. Pensei em fazer um risoto de salmão para acompanhar vinhos rosados. Fui ao mercado de peixes, mas o que encontrei não me inspirou confiança. Resolvi mudar para risoto de mariscos, uma vez que estes estavam mais frescos.

Só mais tarde foi que me lembrei que a Clara não come ostras nem mariscos. Fiquei num dilema relativo, pois os vinhos já haviam sido combinados. Entretanto, quando fui ao supermercado para comprar o restante do que precisava para a refeição, encontrei salmão congelado de qualidade muito superior ao do mercado. Comprei uma peça e voltei ao planejamento original. Só que agora eu estava também com um peso de mariscos frescos e tinha que dar-lhes um bom destino. Daí surgiu a idéia da preparação que vai descrita abaixo.

INGREDIENTES

  • 500 g de mariscos limpos e sem concha;
  • uma colher (sopa) de mel;
  • uma colher (sopa) de mostarda de Dijon;
  • 50 ml de azeite de oliva;
  • duas colheres (sopa) de vinagre balsâmico;
  • alcaparras para decorar;
  • sal e pimenta a gosto.


MODO DE PREPARAR

Lave muito bem e escorra os mariscos. Ferva uma quantidade de água com sal que dê para cobri-los e afervente-os. Basta mergulhá-los e, quando a fervura se restabelecer, escorrê-los e reservar.

Enquanto os mariscos tomam a temperatura ambiente, misture os demais ingredientes, batendo-os muito bem com um fouet, e acertando o sal e pimenta. Junte os mariscos, envolva-os no molho, cubra com um filme plástico e leve à geladeira por, no mínimo, uma hora. O melhor é prepará-lo com mais antecedência. Na hora de servir, salpique alcaparras a seu gosto.

Trata-se de algo tão simples e com um resultado tão bom, que superou o prato principal do dia na harmonização com a bebida. Assim sendo, quem quiser um casamento perfeito como o espumante Casa Perini Brut Rosé, sugiro estes mariscos como prato de entrada. Seu delicado paladar doce-azedo foi complemento perfeito para o ligeiro amargor do espumante.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

”Escondidinho" de Camarão

Embora o Sérgio tenha publicado uma receita de escondidinho antes que eu tivesse a oportunidade de fazer a minha versão, os amigos insistiram para que eu o fizesse, mesmo assim. Tenho a impressão que o prato agradou, pois não sobrou nem um restinho "para o gato".

INGREDIENTES:

Purê:

  • 1 kg de mandioca (aipim)
  • 250 ml de leite
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • sal

Após o cozimento, amasse a mandioca com um espremedor de batatas. Leve ao fogo e junte a manteiga e o leite aos poucos, até obter um purê firme. Reserve.

Recheio:
  • 1 kg de camarão fresco (podem ser pequenos)
  • 1 cebola picada
  • 2 tomates picados sem pele e sem semente
  • sal
  • suco de limão
  • pimenta
  • 2 colheres de molho de tomate
  • salsa
  • azeite
  • manjericão a gosto

Após descascar o camarão, tempere com sal, pimenta, suco de limão e azeite. Deixe descansar por alguns minutos e leve-o ao fogo até ficar rosado e soltar o caldo. Retire o camarão e reserve o caldo.

Coloque uma colher de azeite na panela e doure a cebola. Acrescente o tomate, o molho de tomate e o caldo do camarão. Deixe cozinhar por alguns minutos. Em seguida, adicione o camarão e faça a correção de sal. Por último, coloque a salsa, o manjericão e cozinhe por mais ou menos 2 minutos.

Para gratinar:
  • Queijo mussarela
  • Queijo parmesão

MONTAGEM:

Espalhe uma camada fina do purê no fundo de um recipiente refratário. Distribua o recheio de camarão e cubra com purê. Finalize com os queijos mussarela e parmesão ralados. Leve ao forno para gratinar até dourar. Quando estiver pronto, decore com alguns camarões e folhinhas de manjericão.


Entre os vinhos disponíveis na noite, o que melhor harmonizou com esta preparação foi o branco italiano Matile, feito da uva Pinot Grigio.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Escondidinho" David - Carne de Siri

A idéia de fazer hoje este prato pra lá de manjado veio simultaneamente de diversas fontes. Em primeiro lugar, havia já um bom tempo que ninguém colocava nada aqui. Além disso, ainda ontem o Pascoal comentou que a Clara estaria planejando fazer um "escondidinho" para acompanhar os vinhos que tomaremos neste final de semana. Por fim, há muito tempo eu estava tentando esvaziar meu freezer para poder limpá-lo adequadamente, e um pacote de carne de siri era a última coisa que restava. Significa que amanhã, lá estará o papai aqui dando uma "geral" nele...

Sempre que se fala em "escondidinho", a idéia é de uma comida improvisada e sem charme. O Pascoal mesmo, comentando a intenção da Clara, disse que procurava um nome mais "charmoso" para o prato. Eu também procurei, mas não encontrei nada interessante ou diferente. Vai "escondidinho" mesmo. O mais tradicional e conhecido é feito com purê de mandioca (aipim) e carne seca. Eu faço com purê de batata. E o recheio vai depender da disponibilidade do momento. Como disse, hoje foi de carne de siri. Vamos lá, portanto.

INGREDIENTES
  • Duas cebolas picadas;
  • um pimentão colorido;
  • um ou dois dentes de alho picados;
  • 4 batatas de bom tamanho (cerca de 800 g);
  • 1 batata-doce de bom tamanho (cerca de 200 g);
  • 30 g de manteiga;
  • 50 g de queijo provolone;
  • 50 5 de queijo parmesão ralado;
  • cinco ou seis tomates concassé picados;
  • 50 g de bacon picado;
  • um fio de azeite;
  • cerca de 500 g de carne de siri;
  • uma ponta de colher de açúcar;
  • sal, pimenta e ervas a gosto.
MODO DE PREPARAR

Vamos começar com o siri. Faça um bom molho de tomate pedaçudo, fritando no azeite o bacon, a cebola, o alho, temperando tudo a gosto e juntando a carne de siri e o pimentão. Deixe levantar fervura e procure deixar o recheio o mais seco possível.

Em seguida, prepare o purê. O meu purê é o mais simples do planeta. Apenas cozinhe as batatas e a batata-doce em água com sal, até que fiquem macias. Descasque e e passe, ainda quentes, pelo processador, junto com um dente de alho e cerca de uma colher de manteiga. Nem precisa sal. Quando estiver bem liso, está pronto. Há quem prefira o liquidificador, mas na minha opinião, o processador é mais fácil de operar.

Agora vamos à montagem do "escondidinho". Sobre um refratário interessante e que possa ir à mesa, coloque metade do purê. Cubra com parmesão ralado. Sobre o parmesão, coloque a carne de siri (ou o recheio que estiver sendo usado no dia). Sobre o recheio coloque o restante do purê. Cubra com lascas de queijo provolone e leve a gratinar. Está pronto para servir, acompanhado de arroz branco e um Chardonnay de bom corpo.

Um pequeno macete que eu uso, é fazer a montagem do prato em vários recipientes individuais. A razão disso é que, em um único refratário grande, logo a comida ficará "mexida" e feia, pois o queijo derretido em sua superfície tende a formar uma crosta mais densa que o purê. Em cumbucas individuais, cada qual é responsável pela aparência do que come, não é?

Bom apetite! E que venha a preparação da Clara!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Lombo David, assado na panela

Estou cada vez mais voltando "às origens", por assim dizer. Tenho estado mais interessado em postar preparações de que me lembro serem feitas na minha casa, que aquelas aprendidas nos Cordon Bleu da vida. A carne de hoje é um desses casos.

A Renata (http://renatacozinhacomgraca.blogspot.com/) me mandou dois vídeos a respeito do Mercado Central de Belo Horizonte e, sem saber, me levou a uma viagem pelos aromas e sabores "de antanho". E há poucas coisas mais evocativas que o delicioso cheiro de um lombinho assando na panela.

Eu sempre faço o lombo no forno, mergulhado em certa quantidade de vinha d'alho, pela praticidade e rapidez. O sabor fica bom, mas nem em sonho se aproxima daquele que se faz na panela, em fogo baixo, cozinhando por horas... E esta é exatamente a única dificuldade do lombinho que vou descrever: tempo! Mas isso não é novidade, pois todos sabem fazer e já fizeram o que estou postando.

INGREDIENTES:

  • Um pedaço de lombo (mais ou menos 1 Kg)
  • um fio de azeite
  • sal
  • pimenta
  • água
  • tempo

MODO DE PREPARAR:

Escolha um pedaço de carne que caiba na sua maior e mais pesada panela com tampa. Quem tiver uma daquelas charmosíssimas Le Cruset, alegre-se: chegou a hora de usá-la (Eu não tenho. Snif...).

Aqueça a panela e um fio de azeite. Quando estiver bem quente, coloque a carne, fritando-a de todos os lados, inclusive nas pontas. Junte um pouquinho de água, tampe e deixe cozinhar em fogo baixíssimo. De tempo em tempo, pingue mais água e vire a carne. Tempere apenas com sal e pimenta. Nem precisa muito sal, pois ele se concentrará na gordura que escorrerá da carne.

Esse processo deve ser repetido por cerca de duas horas. Nesse meio tempo, amarre o cachorro e tranque o portão, pois senão ele pode invadir a cozinha atrás do perfume exalado, da mesma forma como podem surgir vizinhos "agarrados pelo nariz", com qualquer desculpa que justifique um convite para o almoço! Não tenho certeza, mas os aromas desprendidos devem estar em alguma lista de pecados irremissíveis. É bom demais!


Quando a carne estiver desfiando nas beiradas, é que está pronta. É hora de retirá-la da panela para descansar um pouco na tábua, antes de ser fatiada.

Não desligue o fogo. Aquele fundo de panela, já completamente caramelizado, também será aproveitado. Basta deglaçar com água mesmo, corrigir o tempero, deixar reduzir, coar e servir sobre a carne. Claro que, quem preferir, pode incrementar com alho e cebola ou, simplesmente, fazer uma farofa sobre aquilo. Tudo delicioso!

Para acompanhar basta arroz branco e alguns legumes cozidos no vapor. Para beber, uma boa taça de Carménère e a vontade de ser feliz!